10 motivos pelos quais tive preguiça de participar da Blogagem Inédita

Achei louvável a idéia do Edney Souza propor a blogagem inédita para o dia 17 de março deste 2008.

Porém, até mesmo o Edney ficou um tanto desconfortável com o uso da palavra “inédita”.

Por isso, e por outros motivos, admito, fiquei com preguiça.

Como preguiça é pecado, vou fazer uma lista dos outros motivos, no melhor estilo blogueiro, para confessá-lo.

  1. Origem.
    A idéia do Edney foi motivada por alguém que, obviamente, entende – e muito – de jornalismo. Mas entende pouco de blogs. Portanto, não me motivou já na origem.
  2. Individualidade.
    Blogs dizem respeito a indivíduos. Indivíduos são, por definição, inéditos. Alguns até podem ser parecidos com outros mas não existe um sujeito idêntico ao outro. Tudo o que você publica em seu blog é inédito na exata proporção em que você se põe no centro ou em algum outro ponto daquilo que você escreve.
  3. Então eu sou inédito?
    Sim, é. Algumas vezes mais, algumas vezes menos. De qualquer forma, se você é inédito, tudo o que você escreve é inédito. Ainda que seu blog seja uma mera cópia, você tem o direito de copiar e, claro, de sofrer as conseqüências legais e principalmente sociais disso. Isso é uma escolha (inédita) sua. Mas até a sua forma de copiar será inédita.
  4. Coletividade.
    Blogs dizem respeito a indivíduos, de fato, mas sua força não é individual. Por mais que existam blogs que se destaquem entre todos, o poder dos blogs passa a existir quando um bom número deles – por alguma razão – passa a apontar para determinada direção. A pirâmide é aguda, mas é a base que lhe dá sustentação. Algumas agências de publicidade já descobriram isso e estão usando esse conceito de forma pouco ética, tentando fomentar virais artificiais. Os jornalistas – de quem se espera um comportamento mais ético -, para variar, seguem atrás dos publicitários no que diz respeito a técnicas mais inovadoras de comunicação.
  5. Convicção.
    Blogs são individuais, mas tentar enxergar sua força no indivíduo – e tentar fazer com que os outros vejam assim – é podar sua energia usando o que eles têm de mais original e característico, porém mais frágil. A verdadeira força dos blogs está na massa.
  6. Quem disse que replicar é ruim?
    Blogs não são concentradores de informação, como eram os antigos jornais. Blogs não são jornais. Blogs não estão no centro: são o ponto de partida da informação mas também estão na periferia dela, recebendo-a. Unem a figura do autor e do leitor em uma só coisa. Eles são disseminadores, replicadores e até, em algumas ocasiões, criadores de informação, se é que é possível criar informação. Assim, à possibilidade de criar informações – que, sim, os blogs também têm – vem se juntar o poder de criar redes, só possível pelos links, pelas citações e pela outrora infame replicação de informação. Blogs, assim, têm mais poder de envolver uma comunidade que um veículo de comunicação antigo. As redes criadas pelos blogs, repito, não têm centro. Centralizar dados é uma fraqueza: a internet foi criada justamente para que dados importantes não fossem centralizados.
  7. Manter a força.
    Jornais e afins vêem como desvantagem e fraqueza replicar informações de outros veículos. Para os blogs isso é força. Tanto mais forte é se a replicação vier embebida na individualidade do editor do blog, de maneira a envolver o grupo de leitores – que inclui outros blogueiros – que já se identifica com aquele indivíduo, com suas idéias originais e com a parte dessas idéias que ele escolhe replicar de outros blogueiros.
  8. Reafirmar o leque de possibilidades.
    Tentar fazer com que um blog se pareça mais com um veículo de comunicação antigo e menos com um blog, é enfraquecê-lo, não fortalecê-lo. Um blog pode usar a linguagem e métodos jornalísticos, mas essa é apenas uma de infinitas possibilidades.
  9. Especialidades.
    Um outro potencial importante dos blogs são os blogs de especialistas. Por que eu deveria ler a matéria sobre tecnologia sem fio – ou sobre odontologia – em que um repórter serviu de intermediário entre o leitor e o especialista, se eu posso ler o que o próprio especialista escreveu, sem intermediários?
  10. Diálogo.
    Também confesso que não tive tempo de participar porque estava conversando com os meus leitores. Os blogs permitem isso. Em toda a sua estrutura. Há caixas de diálogo, de comentários, formulários de contato, emails e não apenas uma coluna para a seção de cartas.

Assim, embora tenha achado de boa intenção a iniciativa do Edney, decidi não participar.

Mas, ei…

Esta lista é inédita…

Desculpe o atraso, Edney.

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  • 20 comentários ↓

    #1 Compulsivo em 19.3.2008 às 11:54 am

    Pois é Alessandro, tirasse as palavras da minha boca. Sua lista é inédita, só está meio atrasada …

    Com destaque para 8o. ponto.

    []‘s
    Compulsivo

    #2 Alessandro Martins em 19.3.2008 às 12:00 pm

    Sim, meu caro Compulsivo. Sobre oitavo ponto podemos dizer que um blog é um formato. Não se pode limitar o que se pode colocar dentro desse formato. Mesmo como formato, na verdade, ele é variado.

    #3 Alessandro Martins em 19.3.2008 às 12:00 pm

    A propósito, gosto muito do sexto ponto.

    #4 Helton Kuhnen em 19.3.2008 às 1:55 pm

    Boa lista Alessandro! Gostei também…
    INÉDITA! :D

    #5 Alessandro Martins em 19.3.2008 às 2:09 pm

    ;-)

    #6 Alex Souza em 19.3.2008 às 2:37 pm

    “Tentar fazer com que um blog se pareça mais com um veículo de comunicação antigo e menos com um blog, é enfraquecê-lo, não fortalecê-lo”.

    Concordo, Alessandro.

    Algumas pessoas deixaram comentários (no post do Edney) falando que ficaram decepcionados, pois esperavam coisas mais difícieis – entrevistas, fotos, vídeos.

    Eu participei, mas fiz o que sempre faço no meu blog, porque, afinal de contas, é inédito.

    A principal proposta da Blogagem Inédita é mostrar que o conteúdo dos blogs é inédito, e não fazer uma alteração no modelo editorial – como muita gente esperava.

    Abraço.

    #7 Alessandro Martins em 19.3.2008 às 2:49 pm

    As pessoas que ficaram frustradas com o resultado não precisam ficar frustradas. Elas têm o material que procuram às fartas em jornais, telejornais, portais e quetais. E outras rimas. Abraços, Alex, parabéns por sua participação e pela maneira como encarou o desafio.

    #8 Bruno Guedes em 19.3.2008 às 5:10 pm

    Concordando com você, o sexto ponto é, na minha opinião, o mais importante. Qual é a utilidade da Internet se não for interconectada? E, sim, qual é o problema com conteúdo não original? Fui ler a proposta e pensei “E desde quando os blogs têm que provar alguma coisa pra alguém a respeito de originalidade?”

    Pra constar, isso vai virar post, com certeza…

    #9 Alessandro Martins em 19.3.2008 às 9:01 pm

    Gosto muito da idéia de rede sem centro, Bruno. Abraços!

    #10 Kiara Carrera Guedes em 20.3.2008 às 3:24 am

    Cheguei aqui meio sem querer e me deparo com essa lista/carta/explicações de algo que não tinha nem tomado conhecimento. O fato é que adorei cada um dos 10 motivos e voto em você… Hã? Isso não era um discurso. Ok, foi mal, é que esse ano né, as coisas começam a borbulhar que eu até pensei ser um candidato a sei lá… Blogueiro do Ano?! rsrsrsrs
    Abraços

    #11 Evandro em 20.3.2008 às 6:58 pm

    Eu participei porque achei a idéia muito boa pelo desafio em criar um artigo meio que baseado em nada, não podíamos usar links de outros blogs e outras regras, achei esse desafio interessante. Acho que a proposta era mostrar que tem muita gente boa por aí criando bom conteúdo, inédito penso que não, mas bons escritores que se esforçam para escrever bem…

    Concordo e muito com os 10 motivos, em especial o 6 e o 2.

    #12 Alessandro Martins em 21.3.2008 às 2:37 pm

    Pô, Kiara… de qualquer forma, já valeu pelo voto. Considero-me eleito… com ele já é o suficiente ;-)

    #13 Alessandro Martins em 21.3.2008 às 2:40 pm

    Evandro, tem razão, a proposta foi legal e os resultados muito bacanas. Mas apenas deu visibilidade a algo que já existia. Tanto que vários blogs inscreveram posts que já costumam publicar habitualmente… abraços!

    #14 Flávia em 22.3.2008 às 7:31 pm

    Caro, Alessandro, gostei muito da sua reflexão e, de fato, o sexto ponto me chamou muita atenção. Gosto muito da idéia da rede e de uma rede sem centros. No entanto, vc é que me estimulou a pensar, creio que essa rede é cheia de “nós”, pontos nodais, que de alguma forma “concentram” (olha a contradição! adoro-as) algumas das tecituras dessa rede. Vc, p exemplo é um deles, não? estamos todos emaranhados e passamos uns pelos outros na malha desse tecido, mas sempre voltamos mais a alguns daqueles pontos nodais. Confuso? Estou tentando pensar a partir do que vc estimula e das suas metáforas.
    A outra coisa que me inquieta e que volta e meia aparece tematizada nos blogs é a questão dos direitos e da autoria. Como vc pensa a questão do plágio? Refiro-me aos blogs mais propriamente literários.
    Desculpe se vc já tem discutido esse assunto em outros posts, é que sou nova nesse seu nozinho aqui.
    A propósito: será que pilotos nazistas continuam lendo só pequeno príncipe, ou já andam na blogosfera?
    Aumentaria nossas chances de sobrevivência… Será?

    #15 Danyllo em 23.3.2008 às 3:14 pm

    Bom, essa lista (como os outros já disseram) é inédita, MAS…, antes de eu ler sua lista eu já pensava em escrever uma lista de porque eu NÂO participei do “Blogagem ‘Inédita’”, mas decidi não escrever…. por que o único motivo na qual eu não escrevi foi por ESQUECER de postar!!!!

    Aí, Aí, Aí

    #16 Alessandro Martins em 24.3.2008 às 11:36 am

    Bem, Danyllo, acho que não é preciso uma data especial para ser inédito… vai fundo! Abraços!

    #17 Bruno Ladeia em 26.3.2008 às 9:12 pm

    :P
    hahaha

    #18 Alessandro Martins em 26.3.2008 às 9:29 pm

    Hahaha, Bruno! Resta saber se riu por identificação, adesão ou comiseração… rs.

    Abraços!

    #19 Carol Rodrigues em 22.4.2008 às 12:09 am

    Eu daria mais dez motivos pra não ter participado, mas não com tanta maestria e formalidade =)
    São ótimas explicações, mas a minha eu resumo com “deu preguiça” ou “faltou paciência”.
    A verdade é que eu não gosto nem um pouco dessas histórias de “estoudandoumtemabloguemtodos” ou ‘tema da semana” ou ainda “blogagem coletiva”…
    Das únicas vezes que tentei participar, não deu certo, não gostei ou deletei o post colocando qualquer bobagem no lugar!

    Falei aos montes ne?
    Enfim…

    Bjos procê

    #20 Alessandro Martins em 22.4.2008 às 11:02 am

    Beijos, Carol!

    De fato, a internet tem essa possibilidade da liberdade de se seguir ou não uma voz. Vai quem quer, não é? De qualquer forma, o importante é fazer o que se acha mais divertido…

    Abraços!

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