Assassinatos.
Crise econômica.
Tragédias.
Violência.
Fome.
Catástrofes.
Corrupção.
O mundo como se ele fosse completa e absolutamente ruim.
Por isso não assino jornais.
O meu amigo Paulo Polzonoff escreveu certa vez em seu blog (não consegui achar o link direto para o artigo):
O mantra de morte, assalto, corrupção e desgraça que nos é recitado todos os dias, várias vezes por dia, é perverso. Seu efeito imediato é criar infelicidade, a partir do medo. Deste ponto em diante, as coisas se complicam. Quando uma pessoa pensa que o mundo não tem jeito, que tudo está errado, etc., é normal que, no instante seguinte, ela comece a pensar que a única saída é controlar o que a cerca. Tem que proibir, diz alguém. Tem que matar uma pessoa assim. Tem que construir uma prisão na Amazônia e deixar o cara apodrecendo lá. (…)
O medo é perigoso porque, instintivamente, reagimos a ele tentando assumir o controle da vida. A nossa e a dos outros. Há liberdade demais, há direitos demais, há democracia demais – é o que pensa quem se submete ao medo.
Aliene-se. (…) alienar-se não significa ignorar. Pelo contrário, significa saber apenas o que é útil, necessário, relevante. A não ser para o esquartejador e para a família da vítima, a notícia da morte cruel da inglesinha não tem valor algum para a platéia em geral. Aliene-se. Desligue a televisão e o rádio, não leia os jornais. Acredite: saber todos os detalhes do assalto na esquina não lhe será útil e nem tampouco evitará que você seja assaltado também. Não, você não vai conseguir conter o medo e muito menos controlar o imprevisto da vida com estatísticas – o gulag do século XXI –, fatos, detalhes sórdidos, depoimentos e entrevistas tolas. Render-se ao acaso é libertador.
Essas coisas - violência, morte, roubo, políticos corruptos - continuam a existir desde sempre.
Desde o tempo que nos entendemos por humanos.
E continuarão a existir.
Sei que não devo ignorar essas coisas. Não ignoro. Dentro das minhas poucas possibilidades, faço até umas ninharias para tentar amenizá-las: não para tornar o mundo menos pior. Isso é inócuo.
Mas para torná-lo um pouco melhor.
Mas o meu mundo é mais do que essas coisas que os jornais publicam. Há uma crônica de Rubem Braga (eu jurava que era de Drummond) que fala sobre a flor de maio, uma flor que nasceu no parque da cidade e é a única notícia boa de todo o jornal. E a verdadeira flor de maio eram aquelas três linhas no papel barato.
Por isso gosto dos meus feeds. Eu escolho as notícias que fazem parte do meu dia a dia - muitas delas jamais passariam pela mente de um jornalista da editoria de geral (até passariam, mas não há espaço para publicar) - e, se a morte e a violência são inevitáveis, eu as doso da maneira que considero aceitável.
Pense: quem, no uso de sua sanidade, podendo escolher, escolheria notícias que só trouxessem tragédias em seus títulos?
Com os feeds você pode escolher.

3 comentários ↓
[...] Acima de tudo, para fazê-las esquecerem que a vida, 99,9% das vezes, não é composta de tragédias. [...]
Ótimo texto! Discutia sobre o porque não vejo jornais eletrônicos com uma amiga minha outro dia… Nos jornais ainda dá para se escolher o que ler, é só escolher os cadernos que acha mais iteressantes e ignorar os outros. Claro que, para isto, você tem que comprar o todo para ter uma parte, o que talvez não seja o mais economicamente viável, já que eu não me interesso nem pela metade do que vem no jornal.
Eu continuo com os feeds…
Obrigado, Victor,
certas coisas não dá para ignorar. Mas o mundo não é feito só delas…
Abraços do Alessandro.
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