Artigos arquivados como 'Ética para blogs' ↓

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós

Baseado em um livro do filósofo Fernando Savater - Ética Para o Meu Filho -, escrevi um artigo no NossaVia sobre o que penso sobre a atual discussão sobre o que os blogs devem ou não devem escrever, sobre como os editores devem ou não devem remunerar seu trabalho.

O texto se baseia no fato de que a Ética só é possível através de um circuito cujas paradas principais são liberdade, escolhas, conseqüências e responsabilidades. Responsabilidades que levam novamente à liberdade.

Apenas deixei de abordar o ponto em que Savater fala que é a igualdade, que é quando se faz valer a liberdade. A liberdade só pode ser plenamente exercida quando consideramos os outros humanos como tal e não como coisas.

Para se ter uma idéia do teor do pensamento de Savater, eis o que ele pensa dos nacionalismos:

Decididamente. Sou absolutamente anti-nacionalista, contra todos os nacionalismos, começando no espanhol e terminando no chinês. Há um escritor basco, Pio Arroja, que diz que o nacionalismo é uma doença que se cura viajando. O que eu quis dizer com essa frase é um pouco o mesmo. Quando viajas, quando tens que cruzar as tuas fronteiras, deixar o teu lugar, o teu país, e se tens uma certa sensibilidade, dás-te conta que na maioria dos casos a ideia de nacionalismo é absurda. Os seres humanos foram feitos para se misturarem uns com os outros. As pessoas que viajam muito dão-se conta do parecido que são os seres humanos e os seus problemas em toda a parte do mundo. Creio que isso sim é que é a verdadeira lição para uma pessoa nacionalista. Um ser humano pode viver em qualquer sítio, sempre que esteja rodeado de outros seres humanos capazes de o compreender e de o ajudar.

Com a ascenção dos blogs, advogados tomarão o lugar dos maitres?

Esta fase de ascenção dos blogs como instrumento de formação de opinião gera situações interessantes.

Afinal, o blog já é mídia de fato ou a mera expressão de uma opinião individual, seja a de um cliente de uma empresa ou a de um freguês de um restaurante? E, independentemente do que seja, qual deve ser a postura dos diretamente envolvidos por essa opinião?

Pois bem.

O Manual de Sobrevivência em São Paulo publicou observações sobre uma refeição no Rancho da Traíra e o primeiro comentário foi daqueles que parecem ser o consultor jurídico e a gerente de marketing do estabelecimento, citando umas duas dezenas de artigos.

A esse comentário seguiram-se outros 157. Não sobre a comida. Mas sobre a reação do restaurante.

Será que, se a crítica fosse feito em uma revista de grande circulação, a reação seria a mesma?

Parece bobagem, mas situações como essa dão rumos para as discussões éticas dos novos meios de comunicação.

Me diga você o que acha.

157 e contando.

Entre SEO e conteúdo? Conteúdo.

Ignorar as manhas de Search Engine Optmization (SEO) por achar que isso é coisa do demônio, do encarapitado, do pé-redondo ou do tramunhão é o mesmo que jogar xadrez e não usar os cavalos porque eles andam em L.

Por isso, se você faz questão de que seu blog seja conhecido, aprenda o básico de SEO.

Se não faz, não precisa.

Mas, por outro lado, fazer do SEO a sua razão de viver e a mola mestra do seu site (a não ser que você tenha um site sobre SEO) é uma tremenda bobagem.

Os algorítmos e os métodos que os mecanismos de busca usam para chegar à conteúdo relevante têm um objetivo: chegar à conteúdo relevante.

Então, antes de aplicar técnicas de SEO ao seu blog, tenha conteúdo relevante.

De outra forma, os mecanismos de busca vão gostar dele (por um tempo), mas as pessoas não. E a internet é uma rede de pessoas e não de computadores.

De uma maneira muito interessante, o SEO vai acabar aproximando as discussões matemáticas e as discussões éticas.

Enquanto isso, embora eu saiba da importância do uso das tais técnicas de “otimização” e usá-las sem no entanto fazer delas minhas senhoras, continuo preferindo ignorá-las quando estou lendo um bom texto.

Homero não usava SEO e a Ilíada está aí até hoje.

Como divulgar seu blog nos comentários de outros blogs

Alguns editores perceberam uma boa chance de aumentar a popularidade de seus blogs deixando o link na caixa de comentários de blogs mais conhecidos. É uma estratégia válida, mas…

… existem maneiras boas de se fazer isso e maneiras… er… não tão boas.

Tomo aqui alguns pontos levantados pelo Bruno Alves, do BRPoint, que considero críticos:

Deixe comentários relevantes

Apenas pedir para visitar seu site vai irritar os outros leitores, o editor do blog e deixar seu comentário com cara de spam. Seja contextual. Para isso, você precisa ler o texto que você quer comentar e ter realmente algo a dizer. Deixar um elogio do tipo “ei, legal o seu blog” é válido, mas fazer isso várias vezes vai evidenciar má fé.

No campo “nome” use um nome de gente

No campo “nome” use o seu nome humano ou um apelido. A não ser que o nome do site seja o seu, é uma péssima idéia usar palavras-chave ou o nome de seu site para comentar. Ainda que seu comentário seja relevante, ficará com cara de spam. Lembre-se de que a internet é uma rede de pessoas, não de coisas. Não vou mais aprovar comentários que não sejam assinados com nome de gente.

Não faça comentários em massa

Nada acontece de uma vez. Você quer construir a fama de seu blog ou a sua fama de spammer? Seja paciente. Nada acontece de uma vez.

Trolls, segundo Jorge Luis Borges

Os leitores de meu blog sobre livros estão mais habituados ao escritor argentino Jorge Luis Borges.

Por outro lado, os meus leitores deste blog estão mais familiarizados com a figura dos trolls.

Não com as criaturas míticas, porém. Mas com um tipo de visitante que fica feliz em provocar brigas e discussões improdutivas em blogs, fóruns e outros ambientes online.

No entanto, as definições formais da criatura mitológica coincide em muito com a criatura virtual que, admitamos, cada um de nós já vivenciou em maior ou em menor grau.

Vejamos o que escreve Borges em seu Livro dos Seres Imaginários:

O poema dramático Peer Gynt (1867), de Henrik Ibsen, garante sua fama. Ibsen imagina que são acima de tudo, nacionalistas; acham, ou tentam achar, que a beberagem horrível que fabricam é deliciosa, e que suas cavernas são palácios. Pra que Peer Gynt não perceba como seus antros são sórdidos, ameaçam arrancar-lhe os olhos.

A minha dica de como lidar com trolls é a seguinte: eles são seres imaginários. Caso algum resolva importunar o seu blog, apenas ignore-o e ele deixará de existir.

A melhor forma de fazer isso é moderar o primeiro comentário de qualquer leitor e apagar comentários considerados ofensivos a você e aos outros leitores.