Artigos arquivados como 'Ética para blogs' ↓

Trolls, segundo Jorge Luis Borges

Os leitores de meu blog sobre livros estão mais habituados ao escritor argentino Jorge Luis Borges.

Por outro lado, os meus leitores deste blog estão mais familiarizados com a figura dos trolls.

Não com as criaturas míticas, porém. Mas com um tipo de visitante que fica feliz em provocar brigas e discussões improdutivas em blogs, fóruns e outros ambientes online.

No entanto, as definições formais da criatura mitológica coincide em muito com a criatura virtual que, admitamos, cada um de nós já vivenciou em maior ou em menor grau.

Vejamos o que escreve Borges em seu Livro dos Seres Imaginários:

O poema dramático Peer Gynt (1867), de Henrik Ibsen, garante sua fama. Ibsen imagina que são acima de tudo, nacionalistas; acham, ou tentam achar, que a beberagem horrível que fabricam é deliciosa, e que suas cavernas são palácios. Pra que Peer Gynt não perceba como seus antros são sórdidos, ameaçam arrancar-lhe os olhos.

A minha dica de como lidar com trolls é a seguinte: eles são seres imaginários. Caso algum resolva importunar o seu blog, apenas ignore-o e ele deixará de existir.

A melhor forma de fazer isso é moderar o primeiro comentário de qualquer leitor e apagar comentários considerados ofensivos a você e aos outros leitores.

10 motivos pelos quais tive preguiça de participar da Blogagem Inédita

Achei louvável a idéia do Edney Souza propor a blogagem inédita para o dia 17 de março deste 2008.

Porém, até mesmo o Edney ficou um tanto desconfortável com o uso da palavra “inédita”.

Por isso, e por outros motivos, admito, fiquei com preguiça.

Como preguiça é pecado, vou fazer uma lista dos outros motivos, no melhor estilo blogueiro, para confessá-lo.

  1. Origem.
    A idéia do Edney foi motivada por alguém que, obviamente, entende - e muito - de jornalismo. Mas entende pouco de blogs. Portanto, não me motivou já na origem.
  2. Individualidade.
    Blogs dizem respeito a indivíduos. Indivíduos são, por definição, inéditos. Alguns até podem ser parecidos com outros mas não existe um sujeito idêntico ao outro. Tudo o que você publica em seu blog é inédito na exata proporção em que você se põe no centro ou em algum outro ponto daquilo que você escreve.
  3. Então eu sou inédito?
    Sim, é. Algumas vezes mais, algumas vezes menos. De qualquer forma, se você é inédito, tudo o que você escreve é inédito. Ainda que seu blog seja uma mera cópia, você tem o direito de copiar e, claro, de sofrer as conseqüências legais e principalmente sociais disso. Isso é uma escolha (inédita) sua. Mas até a sua forma de copiar será inédita.
  4. Coletividade.
    Blogs dizem respeito a indivíduos, de fato, mas sua força não é individual. Por mais que existam blogs que se destaquem entre todos, o poder dos blogs passa a existir quando um bom número deles - por alguma razão - passa a apontar para determinada direção. A pirâmide é aguda, mas é a base que lhe dá sustentação. Algumas agências de publicidade já descobriram isso e estão usando esse conceito de forma pouco ética, tentando fomentar virais artificiais. Os jornalistas - de quem se espera um comportamento mais ético -, para variar, seguem atrás dos publicitários no que diz respeito a técnicas mais inovadoras de comunicação.
  5. Convicção.
    Blogs são individuais, mas tentar enxergar sua força no indivíduo - e tentar fazer com que os outros vejam assim - é podar sua energia usando o que eles têm de mais original e característico, porém mais frágil. A verdadeira força dos blogs está na massa.
  6. Quem disse que replicar é ruim?
    Blogs não são concentradores de informação, como eram os antigos jornais. Blogs não são jornais. Blogs não estão no centro: são o ponto de partida da informação mas também estão na periferia dela, recebendo-a. Unem a figura do autor e do leitor em uma só coisa. Eles são disseminadores, replicadores e até, em algumas ocasiões, criadores de informação, se é que é possível criar informação. Assim, à possibilidade de criar informações - que, sim, os blogs também têm - vem se juntar o poder de criar redes, só possível pelos links, pelas citações e pela outrora infame replicação de informação. Blogs, assim, têm mais poder de envolver uma comunidade que um veículo de comunicação antigo. As redes criadas pelos blogs, repito, não têm centro. Centralizar dados é uma fraqueza: a internet foi criada justamente para que dados importantes não fossem centralizados.
  7. Manter a força.
    Jornais e afins vêem como desvantagem e fraqueza replicar informações de outros veículos. Para os blogs isso é força. Tanto mais forte é se a replicação vier embebida na individualidade do editor do blog, de maneira a envolver o grupo de leitores - que inclui outros blogueiros - que já se identifica com aquele indivíduo, com suas idéias originais e com a parte dessas idéias que ele escolhe replicar de outros blogueiros.
  8. Reafirmar o leque de possibilidades.
    Tentar fazer com que um blog se pareça mais com um veículo de comunicação antigo e menos com um blog, é enfraquecê-lo, não fortalecê-lo. Um blog pode usar a linguagem e métodos jornalísticos, mas essa é apenas uma de infinitas possibilidades.
  9. Especialidades.
    Um outro potencial importante dos blogs são os blogs de especialistas. Por que eu deveria ler a matéria sobre tecnologia sem fio - ou sobre odontologia - em que um repórter serviu de intermediário entre o leitor e o especialista, se eu posso ler o que o próprio especialista escreveu, sem intermediários?
  10. Diálogo.
    Também confesso que não tive tempo de participar porque estava conversando com os meus leitores. Os blogs permitem isso. Em toda a sua estrutura. Há caixas de diálogo, de comentários, formulários de contato, emails e não apenas uma coluna para a seção de cartas.

Assim, embora tenha achado de boa intenção a iniciativa do Edney, decidi não participar.

Mas, ei…

Esta lista é inédita…

Desculpe o atraso, Edney.

Blogs não precisam produzir conteúdo original

Repentinamente há uma cobrança em relação aos blogs para o fato de que, para que passem a ser bons, comecem a produzir conteúdo original.

É um equívoco. Não procede.

Acho muito boa a iniciativa do Edney Souza com a idéia da Blogagem Inédita, mas também acho importante que não se produza conteúdo original como se isso fosse para provar algo. Basta mostrar que é possível. Só.

Blogs podem produzir conteúdo inédito. E isso é excelente. Parabéns para aqueles que já o produzem. Mas não é uma condição sem a qual não é possível um bom blog.

Vou recorrer às palavras de um dos pioneiros do formato blog na internet, Jom Barger. Bem, ele deve entender um pouco do assunto:

Um blog verdadeiro é um log de todos os sítios que você gostaria de salvar ou dividir. (Então, hoje, o del.icio.us é melhor para os bloggers do que o próprio Blogger). Você pode, é claro, colocar links sobre você fora do seu blog, mas se o blog tem mais posts originais do que links, recomendo aprender um pouco de humildade.

Esse é o blog em sua origem. O blog de raiz, meu caro. Se você acha essa função pouco ambiciosa, recomendo que dê uma olhada no texto da Samantha Shiraishi, em que ela apresenta uma citação de Tiago Dória:

Acredito que a principal coisa que aprendi com o blog é que agregar é tão importante quanto criar conteúdo original. É relevante você não somente produzir conteúdo, mas ser uma espécie de hub de coisas interessantes que estão acontecendo por aí. Uma espécie de DJ de conteúdo.

Quem acha que o conteúdo, para ser bom, precisa ser original, parou na época em que as informações eram centralizadas pelos grandes meios de comunicação.

Agora, os meios de comunicação são mais esparsos e tendem a aproximar interesses. Como nas fogueiras em torno das quais os viajantes se sentavam e trocavam histórias. Naquelas noites de conversa, antes do amanhecer e o seguir da viagem, ninguém produziu nada de novo. Apenas transmitiram. O mais importante, agora, é a propagação e a distribuição com fidelidade.

Pode-se deixar o conteúdo “inédito” para a mídia antiga.

O “inédito” entre aspas, como disse o Edney, é proposital.

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Fonte: XKCD