24.2.2010 — Debates sobre blogs / por Alessandro Martins
O 6º Encontro de Twitteiros Culturais de Curitiba (@ETC_Curitiba) acontece neste sábado, dia 27 de fevereiro, na Livraria Saraiva do Shopping Crystal, às 16h30.
Você não é de Curitiba? Não tem problema: ele acontece simultaneamente em outras 10 cidades do Brasil: São Paulo (SP), Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Rio Branco (AC), Fortaleza (CE), Porto Velho (RO), Goiânia (GO), Recife (PE), Uberlândia (MG) e João Pessoa (PA).
Sua cidade não tem um Encontro de Twitteiros Culturais? Fale com a Fernanda Musardo para saber como organizar um.
O tema desta edição será Livros e Literatura, além de Inclusão Digital e ainda outro que será definido com a ajuda das sugestões que chegarem através do Twitter.
Todas as 10 cidades participantes formarão um poderosíssimo círculo de informação rápida e dinâmica em um debate sobre temas similares, mas condicionados a cada realidade geográfica distinta.
No encontro deste sábado estarão à mesa Denilso de Lima, Edmilson J Silva, Guga Azevedo, Maria Rafart, Ney Queiroz, Rodrigo Fornos, Ricardo Macari e eu.
23.2.2010 — Debates sobre blogs / por Alessandro Martins
A tradutora Denise Bottmann, que em seu blog faz denúncias de plágios de traduções, tem muito a ensinar aos blogueiros que ficam de #mimimi diante de uma mera notificação extrajudicial.
Ela está enfrentando efetivamente e com coragem um processo movido pela editora Martin Claret e, agora, outro, movido pela editora Landmark.
Este mais recente pede a retirada do blog do ar (como de costume), o pagamento de uma indenização de alguns muitos milhares de reais por calúnia e tem duas particularidades interessante.
A primeira: a Landmark pediu antecipação de tutela. Ou seja, que o juiz determinasse a retirada do blog do ar antes mesmo de julgar o mérito das alegações sobre as pretensas calúnias. E aí vem a coisa interessante: o juiz negou, alegando, segundo Denise, que a questão é complexa, envolve discussão sobre liberdade de expressão e crítica na internet e por tratar-se de matéria não pacificada.
O segundo aspecto: a Landmark também pediu “publicidade restrita” da ação, para que não se divulgue nenhuma notícia em lugar algum sobre a ação, invocando o “direito de esquecimento”.
Assunto sobre o qual o juiz não se manifestou.
Nas palavras de Denise:
Aparentemente, o problema principal dos reclamantes é o fato de que se publiquem notícias, que elas circulem e não caiam no esquecimento com a volatilidade que ocorria na era pré-digital. Devo concordar que, realmente, quando as notícias antigamente saíam num jornal, meses depois a tendência era que o público esquecesse as informações (a velha piadinha que dizia “brasileiro tem memória curta”). Concordo também que a internet propicia maior velocidade no fluxo de informações e facilita consultas de tipo documental e arquivístico. Ao contrário dos reclamantes, porém, considero que tais avanços tecnológicos são muito positivos para as sociedades democráticas, e favorecem uma maior transparência das relações sociais – neste sentido, hoje em dia seria muito mais difícil destruir documentos e “reescrever arquivos” como se fazia em regimes totalitários, pois torna-se mais fácil preservar os arquivos das informações graças aos meios digitais.
Se, como cidadã, louvo e utilizo os novos meios propiciados por tais avanços tecnológicos, não vejo por que devo ser processada por tal fato. A Internet é um fenômeno global de gigantesco alcance e envergadura, gerando sistemas de arquivamento e compartilhamento de informações a um grau inédito, e sabidamente trata-se de um processo irreversível em escala mundial. Quanto aos marcos regulatórios para disciplinar a matéria no Brasil, encontram-se em fase final de elaboração no Ministério da Justiça, prevendo dispositivos não só para a devida tutela de todos os direitos humanos e sociais envolvidos, mas também para tolher tentativas arbitrárias de censura e amordaçamento, garantindo a preservação do estado de direito.
Seja você representante de uma empresa, de uma entidade ou tão somente de você mesmo, lembre-se disso. Pois a internet não esquece.
18.2.2010 — Inspiração para seu blog / por Alessandro Martins
- Do Blogger para o WordPress – Série de 6 artigos (em inglês) sobre como migrar um blog do Blogger para o WordPress. Via Janio Sarmento
- Texto da Raquel Recuero sobre as diferenças das redes sociais e sua integração no Buzz – Penso que, se você quer integrar muitas redes sociais em uma só, precisará exercer a coerência, como quando reúne amigos de círculos diferentes de convívio. Isso pode ser desconfortável, às vezes impossível. É para poucos, coisa de malabarista. Mas, se você consegue, divirta-se. De minha parte, só preferi fazer um buzz diferente para meu blog de conteúdo adulto. Mas, cá entre nós, a sociedade e minha mãe – que me segue no Google Buzz – não estão prontos para tanto.
- Perturbado com o Buzz em seu gmail? ADICIONE O FACEBOOK TAMBÉM!!!! – Saiba como. Artigo em inglês
- Por que vou continuar a compartilhar o Twitter no Google Buzz – Apesar de isso gerar algum tipo de redundância para quem já me segue no Twitter
- Eles caíram nas armadilhas do Twitter – Os políticos começam a descobrir o poder da rede social. Mas ainda não aprenderam a usá-la
17.2.2010 — Diário de bordo do blog / por Alessandro Martins
(eu já compartilhei este texto no Google Buzz, mas agora dei uma editada e acrescentei algumas coisas para publicar no QueroTerUmBlog)
Sabe por que vou continuar compartilhando tudo o que compartilho no Twitter também no Google Buzz?
Porque a maioria dos grandes amigos com quem gostaria de compartilhar as coisas que compartilho no Twitter não tem Twitter.
Ou, então, eles tem Twitter mas não o usam suficientemente para que eu saiba o que eles estão pensando em determinado instante – embora fisicamente distantes – ou para que eles saibam o que estou pensando.
Basicamente por isso.
Por outro lado, boa parte deles usa Gmail.
Assim, se você já me segue no Twitter e prefere parar de me seguir no Google Buzz, fique à vontade para parar de me acompanhar no Buzz. Não vejo problema nisso e nem ficarei melindrado. Estaremos próximos por lá, no Twitter, ainda.
Considero que uma parte importante das mídias sociais, nos anos que virão sobretudo (mas de certo modo, agora mesmo), é o quanto nos consideram relevantes, em um sentido amplo e profundo, aqueles que estão próximos a nós (gente que não usa o twitter e outras mídias) mas a quem damos bom dia e vemos diariamente na panificadora ou mesmo no trabalho. O quanto eles consideram importante o que temos a dizer e, sobretudo, a compartilhar.
O Google Buzz tem apenas alguns dias e já vi gente que eu de maneira alguma esperava envolvida com as mídias sociais dizer coisas como: “nossa, que legal aquilo que você colocou lá no Gmail“.
Além disso, também quero MUITO ouvir o que essas pessoas tem a dizer.
Um artigo de uma pessoa que – por contingências geográficas e temporais eu nunca vi pessoalmente ou com quem eu não convivo -, por mais bem escrito que seja, não é mais relevante que um pão com manteiga e café com leite quando estou com fome aqui e agora.
Ou mais relevante que um abraço de minha mãe ou um beijo de minha namorada. Falo de proximidade.
E olha que um artigo bem escrito é sempre relevante.
Aliás, minha mãe, uma completa iniciante na internet, entendeu rapidamente o conceito do Google Buzz e ao que parece vai usar o serviço. Já fez até algumas atualizações com alguns pensamentos seus sobre a vida que, embora para você talvez não sejam tão importantes, para mim são relevantíssimos.
Uma boa parte dessas pessoas de que sou próximo já está aqui no Buzz. E, no momento, também quero dizer coisas a elas da maneira mais fácil e rápida possével. Ainda que, para alguns usuários do Twitter isso fique um pouquinho redundante.
Novamente, digo: não precisa me seguir no Buzz. E, mesmo no Twitter, não me chateia se você deixar de me seguir. A questão da relevância é muito mais sutil do que pode explicar qualquer manual de mídias sociais.
Estou vendo um futuro em que cada vez menos importam os “sites” – esses lugares virtuais da internet – e importam mais os indivíduos e o papel que eles desempenham em certas comunidades que se entrelaçam com outras comunidades da internet e fora dela. Principalmente fora dela. Menos o lugar, mais a pessoa.
É por isso que vou continuar a compartilhar meu Twitter no Buzz.
Abaixo os comentários que algumas pessoas que ainda me seguem no Buzz fizeram na ocasião em que este texto foi publicado:
Thiago Bomfim dos Santos - Eu parei de compartilhar os meus updates do twitter aqui, mas estou pensando em reconsiderar…14 fev
Thiago Bomfim dos Santos - O melhor de tudo: quem nunca deu atenção para Google Reader, Friendfeed e Twitter agora tá conseguindo acompanhar o webstream que era exclusividade do mundo dos nerds.14 fev
Carlos Filho - eu parei de compartilhar o que escrevo no twitter aqui, porque imagino que deve ser muito chato para algumas pessoas, aquelas que seguimos e nos seguem em mais de uma mídia, ter que ler e reler os mesmos assuntos, isso sem contar aqueles que usam – neste caso – o twitter como um simples alto-falante de suas ideias mais absortas.
Neste ponto de vista, considero irrelevante duplicar as informações.
Por outro lado, o que o Alê escreveu é totalmente válido e deve ser considerado para aqueles que desejam manter esta ou aquela mídia compartilhada aqui.
A forma como nos comunicamos, aquela fórmula clássica de emissor-mensagem-receptor está mudando, isso é óbvio. Resta saber se estamos preparados para essa mudança e mais importante, como queremos que ela seja daqui pra frente.14 fev
Thiago Bomfim dos Santos - Agora algumas dúvidas me visitam: É realmente importante o que eu tenho a dizer? E se é, isso significa que todo o meu círculo de relacionamentos precisa ouvir? E além do incômodo da minha incoveniência, será que não há um monte de gente evitando justamente o bombardeio de informação? Será que coisas como o Google Buzz não são um cerco que se fecha para que todos, mesmo contra a vontade ou até mesmo de modo imperceptível, coloquem sua rotina num lifestream?14 fev
Carlos Filho - @thiago a questão que acho, tem a ver com o mesmo conceito por trás da Google: relevância e autoridade.
Quero dizer que o que tem a dizer, até mesmo uma frase do tamanho de um SMS, pode ter sua importância à alguém, fazendo com que naquele momento, seja útil e necessária.
Quanto mais ‘alguéns’ você conseguir somar pelas suas ideias, considerando a informação e conteúdo que pode dar, é de se supor que eles sejam pessoas diferentes.
Digo no sentido dialético da coisa, onde não existe apenas uma ideia e/ou uma contrária, mas a partir daí, começam a existir sínteses.14 fev
Thiago Bomfim dos Santos - Carlos, vê se eu viajei no que você disse: o número de pessoas que me seguem indicam a relevância do meu conteúdo (de acordo com as leis da internet “pós-googliana”)? E quando aqui discutimos “relevância” nos referimos ao termo que se opõe a “banalidade”?14 fev
Carlos Filho - Em termos, porque você deve levar em conta o que você quer, o seu interesse próprio. Senão, eu poderia desenvolver um programa que faria todos os usuários do gmail me seguirem e daí eu seria o rei.
Mas é de se pensar o que levam as pessoas a terem vontade de ler o que eu escrevo? Qual seria essa ‘fórmula mágica’?
Relevância neste caso, nada mais é do que a soma dos votos de confiança que as pessoas dão para o seu conteúdo, te seguindo é justo, mas também interagindo com ele e utilizando-o como fonte de informações próprias.
Dessa forma, você passaria a ser um agente multiplicador. Perceba que quanto mais relevância, maior será a sua autoridade dentro deste contexto.
Pessoas com autoridade maior, por intuição, têm um peso maior no compartilhamento de informações.
Por exemplo, é diferente eu te indicar um smartphone, e a Garota sem Fio fazer isso.14 fev
Thiago Bomfim dos Santos - Entendi

É a velha ideia do formador de opinião, só que atrás de um teclado. Embora pareça, Carlos, não estou levando a discussão de modo jocoso, na verdade estou achando interessante.
Preciso melhorar meu estilo…14 fev
Lady Rasta - Eu não compartilho e acho que flooda a timeline – eu detesto tweets repetidos no facebook, por exempo. E mesmo que vários amigos não tenham twitter, acho que o tipo de coisa que tuitamos não é do mesmo tipo que jogamos aqui…14 fev
Lunna Guedes - Eu ainda tenho twitter, mas sinceramente não tenho paciência com ele. E vamos ver se terei com o “buzzuzo” novo. rs
Mas eu te acompanho por aí (sempre). bjs14 fev
Ruleandson do Carmo Cruz - Concordo, moço. A maioria de meus amigos não tem Twitter, e poderão acompanhar o que posto lá por aqui. Além disso não faz sentido eu ficar falando sobre meu dia-a-dia e/ou compartilhar pensamentos, links etc aqui de modo diferente do que faço lá. Integrar os serviços acho que é o melhor e mais funcional também…15 fev
12.2.2010 — Uncategorized / por Alessandro Martins
O livro Terra Papagalli, de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta, traz, entremeados à narrativa, os 10 mandamentos para a sobrevivência na Terra dos Papagaios, que é como então o personagem principal chama o Brasil recém descoberto.
Ele descobre que, para sobreviver naquela terra de ninguém onde foi condenado a morar, deveria seguir algumas regras básicas e com elas instrui a um certo nobre a quem deve obrigações e satisfações.
Por algum motivo, decidi listar aqui, um blog sobre blogs, os tais mandamentos.
Talvez porque papagaios sejam bichos que repetem o que os outros dizem sem refletir o significado do que dizem, com a velocidade de quem dá um RT tão banal – ou control c e control v – sem sequer verificar o que há por trás de um link ou inquirir-se se tal informação é verdadeira ou não.
Talvez por outros motivos também e que peço a você, leitor-blogueiro, me diga nos comentários. Respeitosamente, por favor.
Divirta-se ou contorça-se com os 10 mandamentos da Terra dos Papagaios:
- É preciso saber dar presentes com generosidade e sem parcimônia, porque os gentios que lá vivem encantam-se com qualquer coisa, trocando sua amizade por um guizo e sua alma por umas contas.
- Quando aparecer alguma dificuldade, mesmo que seja de simples solução, é preciso fazer alarde, espetáculo e pompa, pois nesta terra mais vale o colorido do vidro que a virtude do remédio.
- As gentes da Terra dos Papagaios são muito crentes e de fácil convencimento. Por isso, têm em alta conta os feiticeiros, os falsos profetas e vai a coisa a tanto que não há patranheiro que lá não enriqueça e prospere. E assim é, senhor, que por serem tão crédulos aqueles gentios, pode-se-lhes mentir sem parcimônia nem medo de castigo.
- É aquela terra onde tudo está à venda e não há nada que não se possa comprar, seja água ou madeira, cocos ou macacos. Mas o que mais lá se vende são homens, que trocam-se por qualquer mercadoria e são comprados com as mais diversas moedas.
- Desde o primeiro, são os funcionários daquela terra um tanto madraços e preguiçosos, e, se na frente de seus superiores parecem retos, quando esses lhes dão as costas, revelam-se muito astutos e só nos atendem se lhes damos algo em troca. Portanto, senhor conde, se fordes para lá não se esqueça de ser generoso com eles, pois lá as portas não são abertas com chaves de ferro, mas com moedas de prata.
- Naquela terra de barganhas fazem muito sucesso e não há quem resista a um pequeno regalo. Por isso, é preciso dar sempre um afago aos que podem comprar, pois entre dois mercadores, naquela terra não se escolhe o mais honesto, mas o que oferece mais mimos.
- Naquele pedaço de mundo, senhor conde, não se deve confiar em ninguém, pois se no sábado nos juram eterna fidelidade, no domingo nos enfiam uma espada pela garganta. A verdade é que lá tudo se rege pela conveniência, e sendo preciso, troca-se de bandeira como as mulheres trocam de pano em dia de regra.
- Na terra que se chama dos Papagaios, cada um cuida de si e Deus que cuide de todos, pois pouco se faz por um irmão, nada por um primo e menos coisa nenhuma por um amigo, de modo que cada um só quer saber do seu nariz e, se alguém faz algo por outrem, é a troco de paga ou medo.
- Naquelas paragens, quando se alevantam alguns, o melhor modo de quietá-los é dar-lhes emprego ou título, porque os daquela terra muito prezam serem chamados de senhores e não há um que troque honradez por honraria.
- E o resumo de meu entendimento é que naquela terra de fomes tantas e lei tão pouca, quem não come é comido.
(via eu mesmo)