Durante o bate-papo sobre remuneração de blogs que aconteceu nesta semana na Casa Mário de Andrade tive o descuido de dizer que a internet é responsável pela propagação de informações erradas já que as pessoas não as checam antes de passá-las adiante.
O Carlos Cardoso observou, usando de um bom exemplo – o caso da Escola Base -, que isso também acontece na chamada grande mídia. Você sabe, a que usa a tevê, os jornais, os portais, enfim.
Também lembrou da história das fotos do seriado Lost que acabaram se transformando em hoax mundial. E que certamente continuarão a ser usadas para todo e qualquer acidente aéreo que acontecer no futuro. E as pessoas continuarão caindo.
Mas culpar a internet por esse tipo de acontecimento, como eu fiz neste ato falho, é como responsabilizar o martelo pela imperícia do marceneiro, como se os seus potenciais positivos (os da internet, não os do martelo) fossem toldados completamente pelos negativos.
No entanto, enquanto na grande mídia esse tipo de acontecimento tem consequências não poucas vezes desastrosas, no mínimo ridículas, como no caso das fotos de Lost, e trágicas, como no caso da Escola Base, elas são culturalmente inaceitáveis.
Tais prodígios, na grande mídia, são culturalmente inaceitáveis porque é mais fácil – embora não absolutamente fácil – apontar responsabilidades. Elas são divididas por menos pessoas. E pessoas são responsáveis. Coisas – como uma rede de tevê – não tem essa possibilidade.
Ontem a informação falsa de que uma cantora, Lady Gaga, teria se suicidado ao saber da morte de Michael Jackson foi a mais propagada na ala canarinho do Twitter (gostei disso de Twitter canarinho para designar o Twitter brasileiro). A ilustração acima, tirada do Twitturly, diz que o link que apontava para a página (falsa) do G1, agora fora do ar, foi no mínimo retuitado 316 vezes ontem.
É muito fácil propagar uma informação no Twitter. O fato de você recebê-la de um amigo torna a coisa relativamente confiável. E eu tenho a impressão de que tanto mais a notícia é trágica e absurda, tanto maior é a sanha de acreditar nela e de que ela seja verdadeira. E maior é a nossa vontade de sermos um dos participantes do processo de passá-la adiante.
Ao mesmo tempo, pelo volume de participantes no processo, a responsabilidade se dilui. Esse é um ingrediente necessário para que essa conduta e esse tipo de acontecimento seja culturalmente aceito nesse meio com mais facilidade que na grande mídia.
Afinal todos jogam detergente esgoto abaixo e poucos tem uma satânica indústria a despejar quilotoneladas de metais pesados nos rios. Ainda que todos admitam que tem uma parcela de responsabilidade e que isso não seja bom, nada bom, vão lembrar de fazer alguma coisa apenas no próximo Dia do Planeta ou na próxima vez que fizerem uma petição online.
Ao verificar que a página sobre o suicídio da cantora era igual a uma do G1, pergunto-me quantos de nós olharam para o alto, na barra de endereços, para ver se a URL era realmente o do site de notícias da Globo. Eu me pergunto se eu mesmo olharia. Ninguém está totalmente livre desse tipo de leviandade.
O fato é que isso vai continuar acontecendo. Num ambiente como esse, você, se pretende ser editor de blogs e não cair em uma arapuca como o MacBook Whell – acredite, teve gente que caiu -, precisa saber se proteger.
A regra, no que diz respeito a notícias, é simples: duvide sempre e sempre cheque em mais de uma fonte.
Se possível pergunte aos principais envolvidos e evite acreditar em terceiros. Quanto mais em centésimos e milésimos. Mais vale deixar de repassar uma informação verdadeira que arriscar sua credibilidade de editor ao passar uma única informação falsa.
Do ponto de vista mais pessoal podemos falar de fofocas. Se quiser saber como se proteger de fofocas, leia o seguinte:
Tomando o cuidado de checar e evitando o primeiro impulso, quase um reflexo, de passar adiante, sua credibilidade será cada vez maior e você tenderá a ter mais sucesso como editor de seu blog.

1 comentário ↓
Grande Martins,
Embora não tenha ficado com essa impressão na palestra, é sempre bom explicitar o que realmente pensamos para não haver nenhum engano. Só gostaria de ter interagido mais na palestra, mas como não sei nada do assunto, não sabia nem o que perguntar…
Sempre quando estiver em SP, avise!
Abs!
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