Artigos de 8/2007 ↓

Karma aplicado a blogs: os artigos que você escreve são flechas

Os artigos que você escreve são flechas.

Mas antes de entender essa afirmação talvez você devesse ler o artigo em que explico como pretendo aplicar o conceito de karma a blogs.

Karma nada tem de místico. É apenas uma lei de causa e efeito. Praticamente uma lei física.

Citando o livro Tratado de Yôga, de DeRose:

O karma se divide em três tipos: passivo, potencial e manifestado. Temos absoluto domínio sobre os dois primeiros. (…) Existe uma parábola que ilustra isso muito bem. O ser humano e o seu karma são como o arqueiro com suas flechas. Na primeira etapa, as flechas estão pousadas passivamente na aljava. Esse momento representa o karma passivo, com o qual você pode fazer o que bem entender. Na segunda etapa, o arqueiro saca uma das flechas, coloca-a no arco e tensiona-o. Ele pôs em estado de alerta uma energia potencial, mas ainda tem completo domínio, pois poderá atirar nesta ou naquela direção e, ainda, poderá desistir de lançar a flecha e guardá-la novamento no coldre. A terceira etapa é quando o arqueiro solta a flecha. A partir daí não dá para voltar atrás, não é possível sair correndo para alcançar a flecha e fazê-la parar. Nesse caso, não há como impedir que toda uma sucessão de conseqüências se desencadeie. Somente sobre esta última forma de karma você não terá domínio.

Os três tipos de karma podem ser aplicados aos seus artigos.

A flecha na aljava

Você adquiriu um domínio, tem uma hospedagem e instalou o WordPress. O que você vai fazer com isso é um mar infinito de possibilidades. A internet está cheia de alvos interessantes que você pode visar ou não. Você pode inclusive deixar tudo como está.

A flecha no arco

Você escreveu seu primeiro artigo. É um texto furioso sobre política. Vai atingir pessoas importantes e tudo o mais. Você faz correções, checa os fatos, concatena os argumentos, corrige o português. Em suma, mira. Tenta atingir o mais próximo possível o seu alvo. E, finalmente, você está com o cursor sobre o botão “publish”.

É só apertar.

Quanto mais experiente você se torna, mais importante esse ínfimo momento passa a ser.

Flecha a caminho: agora tudo pode acontecer

Pense que talvez seu artigo não tenha o alcance que você gostaria. Ele não chegará até onde era seu objetivo. Tudo bem. Seu karma permanece inalterado ou será minimamente alterado.

Se ele chegar, haverá conseqüências. Outros blogueiros poderão escrever sobre o assunto e até quem sabe cabeças rolarão nos altos escalões do governo.

Note que nem todo o karma produzido diz respeito a você apenas. Ele afeta outras pessoas - objetos até - e esses karmas secundários podem se voltar ou não para você novamente. É uma espécie de reação em cadeia.

Você já assistiu ao filme Efeito Borboleta? É quase aquilo. Só que você não tem o poder de viajar para o passado.

Como controlar isso

Aprender a lidar com o karma positivamente para você e as pessoas que o cercam é uma arte. Segundo o conceito que vimos, você só tem o controle sobre o karma nas duas primeiras etapas. Então, até o momento de apertar o botão para publicar o seu artigo você pode mudá-lo ou mesmo apagá-lo, caso entenda que as conseqüências dele poderão ser maiores do que aquelas com que pode arcar.

Claro, você poderá se arrepender segundos depois e apagar o artigo

A capacidade de medir isso, no entanto, só vem com a experiência e, muitas vezes, na tentativa e erro. Tudo bem. Só idiotas não aprendem com seus erros.

Claro, você poderá se arrepender segundos depois e apagar o artigo. Mas tanto maior é o alcance de seu blog e o tamanho de sua audiência tanto mais difícil será alcançar a flecha.

Possivelmente, mesmo depois de apagado, os minutos em que seu texto ficou no ar já foram suficientes para ocasionar karma em maior ou menor grau.

Fui alvejado e agora?

É o tipo de coisa que se evita, mas é natural que o modo como você interage com as pessoas na internet, uma hora ou outra, acabe gerando desafetos. Nem pessoas que agem de maneira cordial estão livres disso.

Schopenhauer dizia que quem é amigo de todo mundo não é amigo de ninguém

Mas não se preocupe nem se aborreça ou fique triste. Isso é um bom sinal. O filósofo alemão Schopenhauer costumava dizer que quem é amigo de todo mundo não é amigo de ninguém.

Por isso será muito normal que uma hora ou outra alguém tente atingir você com um artigo, texto ou comentário.

Existem diversas maneiras de lidar com isso. Listo algumas:

  • Vias jurídicas: o karma dessa possível agressão pode ser esse. Um longo e desgastante processo legal. Por isso só o aconselho a adotar essa medida se há evidente prejuízo moral ou patrimonial.
  • Discussão: discussões em que não se visa um consenso - e em que se tenta impor e provar um ponto de vista - são desperdício de energia. Depois da troca de socos verbais cada parte sai dela com a mesma opinião com que entrou e com um provável olho roxo. Esse é um karma possível caso você se sinta ofendido. Então só o escolha se você visar a conciliação e se ela for possível, pois de outra forma de nada vai adiantar, só prolongando o círculo vicioso de respostas e respostas de respostas. Não é produtivo e você corre o risco de sair com fama de ranheta. É muito melhor dispor suas idéias - por mais amenas ou polêmicas que sejam - para quem quer acatá-las naturalmente do que tentar convencer alguém pela força. Afinal, não existe convencimento à força. Nem à força de argumentos.
  • Deixar passar: uma ofensa que não é aceita permanece com o ofensor. Sem falar que o desgaste permanece com aquele que a perpetrou. É o mesmo conceito daquelas artes marciais que usam a força do adversário contra ele mesmo. Você não contrariou a energia de seu ofensor, apenas a direcionou para uma parede de concreto, afastando-a de você. Essa idéia é boa. Mantém o seu karma no lugar - seja lá para onde você o esteja apontando (trabalho sério, artigos de qualidade para o seu blog, divulgação, etc). E o proprietário da ofensa sofreu a pior parte de seu próprio karma sozinho, sem que você precisasse dividir esse fardo com ele.

Prefiro a terceira, pois mantém o foco em atividades produtivas e eventuais desafetos se afastam naturalmente na medida em que cansam de importunar.

Mas nada impede o uso das outras duas.

A segunda pode ser divertida quando se domina o poder dos argumentos e se vê o embate verbal inútil como um passatempo.

Às vezes pode ser necessária para que não se fique passivo diante de ofensas a idéias e ideais que você considere fundamentais. Nesse caso, use as suas palavras para se posicionar diante dos seus e daqueles que possam a vir a se identificar com você. E não para se explicar ou rebater um desafeto. Mais uma vez, use a força dele contra ele mesmo e a seu favor.

E a primeira - a jurídica -, infelizmente, às vezes pode ser imperativa como salvaguarda de reputação e patrimônio.

O próximo artigo é Karma aplicado a blogs: comentários, maquinazinhas de gerar karma.

Karma aplicado a blogs

Karma é uma lei natural. Nada de conceitos místicos e espirituais.

O editor de blog precisa de conceitos práticos para traçar suas estratégias e atuar da melhor forma possível na intrincada rede de que faz parte.

Por isso vou adotar o conceito de karma do livro Tratado de Yôga, de DeRose, estudioso desse assunto:

Karma provém da raiz sânscrita kr, agir, que deu origem aos termos karma, ação; e kriyá, atividade. Karma é uma lei natural, como a lei da gravidade. (…) podemos definir karma como um destino maleável que modificamos a cada minuto em virtude das nossas ações, palavras e pensamentos. Estamos o tempo todo a tecer nosso futuro imediato e distante.

Cada ação (karma = ação) protagonizada gera inexoravelmente uma reação, ainda que a ação inicial tenha sido apenas uma palavra ou pensamento. Então, devemos tomar muito cuidado com o que dizemos e com o que pensamos, não por uma razão meramente moral, mas por saber que não haverá como furtar-nos à responsabilidade das conseqüências.

Gosto dessa definição. É praticamente uma lei física de ação e reação: cuspiu pra cima, choveu na testa.

Não tem nada a ver com algo que se traz de uma suposta vida anterior ou alguma culpa ou pecado que se tenha que pagar só por ter nascido.

Você tem um grande controle sobre o karma.

Está mais ligado a gestos cotidianos, aplicável às tarefas diárias. Tão comuns como o ato de interagir em seu blog e no blog alheio.

Eu lembro de um episódio dos Simpsons em que Homer, ao consertar uma torradeira, vai parar no passado distante, no tempo dos dinossauros.

Lá, ele mata um mosquito.

Ao voltar para o presente, descobre que aquele simples gesto alterou completamente a realidade que antes ele conhecia.

Mas não é preciso que você vá tão longe no tempo e no espaço.

Nos próximos dias, vou produzir uma série de artigos para demonstrar como acredito que esse conceito pode ser aplicado a diversos aspectos relacionados aos blogs:

Você vai ver que esse conceito formalizado na Índia há mais de cinco mil anos - mas que, por definição, sempre existiu desde o começo do Universo - pode ser aplicado na hora em que você clica naquele botão em que se lê “publish”.

Repercussão em portal argentino

Uma entrevista que tive a oportunidade de conceder ao Digestivo Cultural, recentemente, acabou repercutindo no site argentino MDZ OnLine, produzido na cidade de Mendonza.

Há uma incorreção no texto que - segundo meu espanhol capenga aprendido em milongas - em algum momento afirma que eu sou o blogueiro mais conhecido do Brasil, o que obviamente não é verdade.

Como aumentar suas chances de ter um link publicado no Uêba

Mesmo com a novidade de votação no Uêba, boa parte do controle do que vai ou não para a capa do site ainda é de seu editor, Gilberto “Knuttz” Soares Filho, e ele tem alguns critérios bem rígidos e que considero relevantes.

Com esses critérios ele chegou à publicação de 50 mil links e à marca de 67 mil cliques diários. Talvez, em breve, a publicação de um link no Uêba, possa causar a queda de um site por excesso de visitas. Mas isto é especulação.

O fato é que, se você entender esses critérios, as chances de você conseguir emplacar um link na capa do Uêba são maiores. O segredo é que Knuttz pensa em seu público leitor e do que ele precisa. Se você conseguir visualizar o que esse público quer, assim como o editor do site o faz, você emplacará mais e mais links.

Não envie link de link

São os redirecionamentos. Isso funcionava até a pouco para promover artigos às capas do Rec6, mas está parando de funcionar porque o serviço está amadurecendo e os usuários aprenderam a diferenciar entre o site realmente interessante e aquele que quer conseguir acessos através do conteúdo alheio. Quando isso acontece no Uêba, o próprio Knuttz cuida de publicar o link para o destino final ignorando o redirecionamento, só os aprovando em casos especiais.

E no caso de vídeos?

No caso de vídeos, Knuttz parece abrir exceções desde que o vídeo esteja na página de destino do link. Isto é, você viu um vídeo legal no YouTube, colocou-o em sua página e agora a submete à aprovação no Uêba. Você tem chances. Mas se quer minha opinião, suas chances são aumentadas enormemente se você acrescentar algo que torne esse conteúdo único. Uma coletânea de vídeos, por exemplo: “os maiores acidentes da fórmula um”, “10 vídeos de chacretes que você nunca viu” e por aí vai. Possibilidades de coletânea são infinitas, elas dão mais trabalho, mas se você queria moleza para ter um link no Uêba, esqueça cara-pálida. Outra sugestão é a coletânea de links, mas como links são muito mais fáceis de serem feitos, trate de caprichar, fazer uma lista bem longa e ser criativo.

Material ilegal, sangrento e de entretenimento adulto

Esqueça. O editor é bem claro quanto à política adotada com relação a esses links. Pedofilia, além disso, é denunciada às autoridades.

Música

Sites que, ao abrir, tocam música ou que têm rádios online são vetados. O Knuttz tem alguns anos de experiência nisso e sabe que muitas pessoas abrem os links enquanto estão no trabalho. E isso atrapalha. Ele deve saber sobre o que está falando.

Cadastro

Se há necessidade de cadastro, mesmo gratuito, o link é vetado, mesmo que o destino seja o site mais legal do mundo.

Cadastre no lugar certo

O Uêba tem agora uma página principal, uma para blogs e uma para vídeos. Se você tiver critério e não der um trabalho a mais para a administração - que não precisará trocar seu link de lugar -, suas chances crescem. Pense na seguinte situação. O seu link é bom, mas nem tanto. Você cadastrou-o em lugar impróprio. O que é mais fácil? Mudá-lo de categoria ou apagá-lo?

Frames

Links que levem a páginas em frames seguem a mesma regra de redirecionamentos. Apenas o link do destino real é exibido.

Vale a pena ver de novo

Links que conduzam a conteúdo não inédito são descartados. Esse é um pouco mais difícil, mas, se você acompanha o Uêba e navega razoavelmente pela internet, tem uma noção do que tem uma maior probabilidade de ser novidade ou não.

Descrição fiel do conteúdo

Isso deve incluir trocadilhos. Você não deve tentar enganar o leitor. Se você faz a descrição “saltos incríveis nas olimpíadas”, o que todo mundo espera encontrar são atletas pulando loucamente e não um desfile de lançamento de sapatos femininos da Prada em Pequim.

Descrição bem feita

Seja breve e sintético. Se você puder fazer uma descrição boa capriche pois nem sempre o editor terá tempo de refazê-la, preferindo descartar o link como um todo. Uma boa descrição, portanto, aumenta suas chances.

O mundo acontece agora, baby!

Notícias quentes ou ângulos interessantes de fatos recentes têm mais chance de ir para a capa.

Links que possam ser vistos em ambientes de trabalho

Muita gente acessa o Uêba no trabalho. Links que possam ser vistos em tal ambiente têm mais chance de serem aprovados. O Knuttz está pensando no que funciona ou não para o seu público. Lembre-se disso. Se você pensar como ele, as possibilidades são maiores.

Crie uma identidade de fonte séria

Ao ver você como fonte, depois de vários links de qualidade aprovados, a administração do site passará a ver você como um contribuidor e não como um mero vampiro de tráfego.

Promova o Uêba

Encontrar um mini-banner, button, ou link para o Uêba na sua página sem dúvida também ajuda no modo como o seu site e sua postura de editor são vistos pela administração do site. Isso significa que você não quer simplesmente vampirizar o Uêba.

Observações do Knuttz

O editor do Uêba acabou de postar um comentário com alguns adendos importantes e que podem ajudar ainda mais você a conseguir a publicação de um link e que, por isso, cito aqui:

Não use força bruta

Não adianta usar força bruta, eu prefiro receber poucos links por site, em freqência constante, que sejam bem selecionados, que uma tentativa tresloucada de emplacar um link “na cega”. Já teve gente enviando 20 links de uma vez (todos enterrados sem verificação) …

Isso depõe contra o critério de quem envia. Se quem tem interesse em ver seu trabalho publicado não se dá ao trabalho de filtrar o melhor do que produz, porque eu me daria?

Um tiro bem dado é mais efetivo que uma metralhada mal dada ;).

Cite as fontes das notícias

Eu tenho por costume verificar as fontes das notícias enviadas. Quanto mais fantástica ou impressionante for a notícia, mais eu vou fazer questão de confirmação.

Não que eu ache que alguém está mentindo, ou querendo plantar uma pegadinha no Uêba. Mas porque, ao publicar um link, eu estou de certa forma endossando-o. E não quero colocar meus usuários em posição de passar uma informação errada só porque *eu* cometi o erro de não checar a informação.

Conclusão

Tudo isso não é garantia de que seu link irá para a capa. Mas tornam isso possível e fazem com que ele não seja descartado já de início.

Ajude a restituir o projetor multimídia roubado durante o BlogCamp 2007

O projetor multimídia usado no BlogCamp 2007 foi roubado.

Ele custava R$ 5 mil.

O valor arrecadado é atualizado e exibido em um gráfico que você pode acompanhar na barra lateral do blog do evento.

Com pouco mais de dois dias de campanha, os valores pendentes já se encontram na metade do total esperado.

O que, por si só, já é um sinal de maturidade e potencial de ação conjunta dos blogs.