Artigos de 9/2008 ↓

Como me tornei blogueiro profissional

A Blog Lista tem rendido algumas discussões interessantes. Uma delas dizia respeito a sobre como cada um dos participantes que viviam de blog haviam atingido essa situação, levandada pelo Rics, do blog Pensa, Rics, Pensa.

Eu já havia falado sobre essa transição aqui - a de assalariado a mercenário independente (mercenário no sentido “Esquadrão Classe A”). Mas falei mais do ponto onde isso aconteceu, não propriamente a história toda.

Eu respondi na Blog Lista, mas o Andersauro sugeriu que a resposta bem poderia virar um post.

Então segue, de maneira bem sintética, minha transição para blogueiro full-time:

Comecei com um site. O Cracatoa Simplesmente Sumiu, cujo conteúdo antigo você pode ver em www.cracatoa.com.br/2005. Na época eu achava que blogs não tinham potencial. E, apesar de o conteúdo desse site ser gerenciado via Movable Type, fazíamos de tudo para que ele não tivesse cara de blog.

Sempre gostei de escrever e sempre gostei que lessem o que escrevo. De início meu objetivo com os blogs era esse: ter uma voz, ser lido, sentir-me participando do mundo, sentir-me vivo, ainda mais vivo.

No meio do caminho alguém me apresentou a possibilidade de anúncios e afiliações. E fui fazendo as primeiras experiências.

Então, os colaboradores do Cracatoa, aos poucos, se mostraram menos colaborativos. Como não gosto de fazer cobranças, mesmo porque as colaborações eram espontâneas (e pelas quais sou muito grato), fechei o Craca como site e tornei-o um blog no domínio principal (o conteúdo antigo permaneceu no diretório /2005)

Pouco antes disso, eu já tinha aberto o alessandromartins.com , que ainda não era o Livros e Afins. Quando comecei a ganhar uns 0,50 centavos de dólar por dia fiquei muito empolgado. A possibilidade de viver do que escrevo, ainda que remota na época, animou-me.

Foi aí que abri o www.iniciantenabolsa.com, pois incentivado por um amigo, passei a investir na Bolsa de Valores: achei que com o blog poderia aprender, ensinar e, ainda, remunerar esse processo.

Durante 2006 e 2007, os acessos e a remuneração dos blogs foi crescendo e meu interesse por eles foi ficando cada vez maior. O mês em que eu atingi uma certa independência financeira com eles foi o mesmo em que a empreja jornalística em que eu trabalhava descobriu que pelo preço que eles estavam pagando pelos meus serviços poderiam contratar dois estagiários. Por outro lado, eu também estava desmotivado com as atividades que vinha realizando lá. Então fui demitido. De certo modo, eu também me demiti: foi uma decisão administrativa deles, mas de uma forma ou de outra, eu fui o responsável para que a diretoria chegasse a ela num processo de anos.

Depois de uma meia hora absorvendo o baque, eu e minha namorada fizemos as contas e descobrimos que o que eu estava ganhando com blogs era mais que suficiente para manter e até melhorar a qualidade de vida que temos e, ainda por cima, com maiores possibilidades de realização pessoal. O que mostrou-se verdadeiro.

Eu conto sobre esta virada nesse artigo: O Início de Uma Nova Vida.

Até pensei em procurar emprego durante um dia, mas logo mudei de idéia. Não troco a independência que ganhei agora por cartão ponto nenhum. Fazer o que dá prazer e ainda ganhar dinheiro com isso… creio que poucas pessoa podem dizer que chegaram a tal ponto.

E muitos deles estão na indústria de entretenimento adulto.

Foi mais ou menos isso. Tem mais algumas vírgulas, poréns e entretantos aí no meio. É uma visão um tanto romântica, pois no processo você além de escrever precisa aprender diversos aspectos técnicos e, para alguns, menos excitantes sobre blogs. Mas o essencial está aí.

Murilo Benício antenadão

<sarcasmo>Murilo Benício mostrando que é um cara antenado</sarcasmo>.

O uso da ultrapassada gíria “antenado” foi proposital.

Pensei em usar “plugado”, mas aí seria demais.

Somente por amor mesmo.

Dicas de 4.9.2008 a 24.9.2008

  • Guia para e-commerce - Sebrae dá os toques se você quiser criar uma loja virtual no seu blog (em PDF)
  • Censura do Google? - Diferença entre pesquisa por um mesmo termo nos Estados Unidos e na China
  • O Caderno de Saramago - O blog do escritor português autor de Ensaio Sobre a Cegueira, Jangada de Pedra e O Evangelho Segundo Jesus Cristo
  • Por que o jornalista tem dificuldades para blogar? » Webinsider - Juliano Spyer disse tudo: o jornalista não se adapta à web porque está submetido a um mercado profissional que favorece a especialização técnica, não enxerga valor na prática do relacionamento e promove a anulação da personalidade do profissional.

Como escrever bem, melhor ou menos mal

A Jacqueline Lafloufa, do blog Pensamenteando, perguntou-me por email que estratégias uso para escrever bem.

É daquelas perguntas perigosas, pois ao respondê-la corro o risco de parecer excessivamente vaidoso, dando a entender que concordo com a afirmativa de que escrevo bem.

Respondo-a, por isso, com o tom de quem foi indagado sobre o que faz para escrever melhor ou, ainda, o que faz para escrever menos mal.

Ainda sob o risco, naturalmente, de parecer falsamente modesto. Mas, enfim, escrever sempre é cheio de riscos - o maior deles é ser incompreendido ou, ainda mais terrível, ser compreendido até o osso - e, portanto, chega de dar voltas.

Já cheguei a publicar aqui, e em outros lugares, listas com dicas de grandes mestres. Na verdade, escrever não funciona como uma receita de bolo. Você pode até seguir um prontuário passo a passo, mas nem a matemática funciona desse jeito.

Então, segue minha resposta à Jacqueline:

Jacqueline,

a resposta é ampla, mas tentarei ser breve.

Em primeiro lugar deve-se gostar do que se faz. Não faço questão de que meu mecânico seja um bom escritor, mas certamente vou admirá-lo se consertar meu carro com arte. E ele só chegará a esse ponto se gostar do que faz.

Não sou bom com carros e nem gosto muito deles, mas acho que meu mecânico nem espera isso de mim. Na certa, quando trato mal da calibragem de meus pneus ele me olha tão torto quanto eu o olho quando ele conjuga errado um verbo. Claro que eu não o olho torto - não ligo para essas coisas -, mas acho que esse é um bom exemplo que uso para chegar onde eu quero chegar.

Se descobri que gosto de escrever e decidi trabalhar em uma área que exige boa escrita, é certo que precisarei escrever todo dia. E para conseguir fazer isso com qualidade preciso aprender um modo de fazê-lo com prazer. Ou o ato da escrita se torna amargo, obrigatório, cartão-ponto.

Um texto pode ser amargo, mas o ato de escrevê-lo não. Deve ser libertador. Seja lá o que você liberte, anjos ou demônios.

Então escrever, para mim, surge dessa necessidade de se exercitar aquilo de que se gosta.

E as pessoas, por incrível que pareça, costumam se afastar daquilo que gostam. Alguns adoram pescar, mas não vão porque sobra pouco tempo ou porque não dá dinheiro. E eu pergunto: porque estamos no mundo se não para experienciar as coisas de que gostamos?

E essas pessoas ficarão surpresas: há quem ganhe dinheiro (muito) pescando.

Portanto: qualquer pessoa precisa ter disciplina para exercer as coisas que lhe dão prazer. Isso vai de escrever, passando por pescaria, a sexo. Não é à toa que existem casais que, depois de muito tempo juntos, deixam essas coisas de lado. Acabam se voltando para suas neuroses - o medo tem um poder atrativo incrível quando estamos sós em nossas mentes - e não para seus prazeres.

O mesmo vale para escrever ou qualquer outra atividade que você julgue prazerosa.

Então, minha estratégia para escrever bem - para escrever melhor ou, mais acertadamente, escrever menos mal - é escrever sempre. Ler bastante ajuda. Mas ler bastante ajuda sobretudo a ler melhor.

Para escrever bem, escreva. A toda hora.

Deixe seus dedos irmanados com o teclado ou com a caneta ou qualquer outro objeto que use para se expressar. Meu mecânico é muito bom com chaves de fenda, alicates, parafusos e quetais. Ele adora carros e mexe com eles todo dia e com alegria.

Então a dica é: primeiro se conheça. Descubra do que você gosta. Se você gosta de escrever, não se negue a essa atividade. Entregue-se a isso e entregue isso a você. Escreva como se sua vida dependesse disso e, de certo modo, pelo menos para mim, depende.

Vai chegar o momento em que sua atividade - escrever ou consertar carros - será desempenhada com naturalidade e, do mesmo modo, o prazer virá naturalmente. E tudo aquilo que desempenhamos com naturalidade fica além da crítica.

Se vivemos com naturalidade, os outros nos vêem à vontade no mundo. Ficamos bonitos e o que produzimos também.

Espero que eu tenha ajudado.

Abraços do Ale.

É uma resposta mais longa do que eu gostaria e mais vaga também. Mas não estou bem certo se existe melhor maneira de fazer algo bem senão gostar do que se faz e aprender a gostar desse algo mais e mais a cada dia.

BlogLista: discussão de alto nível

A Blog Lista. Uma lista para discussão de alto nível sobre blogs. Para veteranos e para novatos.

A Blog Lista nasceu de uma necessidade clara de se ter onde discutir de forma sadia e respeitosa assuntos relacionados a blogs, monetização e conteúdo RELACIONADO à Blogosfera. Esta primeira linha, por si só, deveria ensejar todo um conjunto de regras que seriam resguardadas pelo bom senso, servindo como um norte para o seu bom funcionamento.