A absorção correta e completa da informação de um artigo pode ser influenciada por diversos fatores, muitos deles imponderáveis.
Por isso, o objetivo desta fórmula não é quantificar ou chegar a um índice exato ou a um cálculo preciso de quanta informação este ou aquele editor consegue passar.
A intenção é prática, no sentido de nortear o editor de blog a escrever com mais precisão e clareza.
A fórmula não está fechada e não tem intenções científicas estritas. Por isso, toda e qualquer contribuição é bem-vinda.
Assim, temos:
Q = (R.L.D) / (T.C.G.N)
Onde:
- Q – Quantidade e qualidade de informação absorvida
São os fatores diretamente proporcionais:
- R – Qualidade de redação
- L – Quantidade de leitores fiéis
- D – Qualidade do design
São os fatores inversamente proporcionais:
- T – Tamanho do texto
- C – Complexidade do Tema
- G – Grau de controvérsia
- N – Ruído
Quantidade e qualidade de informação absorvida (Q)
É o índice de quantidade de informação que o leitor tende a absorver.
Tamanho do texto (T)
O tamanho do texto tem relação inversa com o índice.
Quanto maior o texto, maiores são as chances de o leitor absorver menos informações nele distribuídas.
Como conseqüência, aumenta a chance de geração de menor interesse na íntegra da informações e, em conseqüência, prejudica a correta absorção final.
Como controlar esse fator: escrever pouco e dizer tudo. Dividir informações complexas em mais de um texto, por exemplo.
Divergências: nem sempre isso funciona ou é interessante. Na literatura, por exemplo, o modo como se diz algo – a forma – é parte indissociável do que se diz – o conteúdo.
Às vezes, algo que não faria parte da informação pura – humor, por exemplo – também pode ser acrescentado para aumentar o interesse do leitor.
Tudo isso aumenta o tamanho do texto, mas por outro lado, faz com que informações sejam captadas. E que de outro modo não seriam.
Qualidade de redação (R)
A qualidade de redação tem relação direta com o índice Q.
Quanto mais um editor domina a elaboração de um texto, maior a chance que ele tem de que a mensagem chegue com fidelidade ao leitor de seu blog.
Como controlar esse fator: independentemente da qualidade de um autor – e isso é algo que também varia com o julgamento de cada leitor -, o fator R pode ser influenciado:
- pelo tempo que um autor, habilidoso ou não, dedica a um texto antes de publicá-lo
- pela ajuda e pela opinião de outros editores mais experientes
- pela pesquisa
- pela revisão
- outros
Divergências: não há como negar que um escritor é melhor tanto maior seja a facilidade com que transmite as informações que deseja com fidelidade.
Porém, essa variável é afetada por outra ainda mais incontrolável que podemos chamar de gosto do leitor.
Se determinado tipo de texto não for agradável a certo leitor, esse leitor tenderá a lê-lo com mais indolência, ou nem lê-lo, levando a más interpretações.
Quantidade de leitores fiéis (L)
Essa variável pode ser chamada também de “variável ambiental” e tem relação direta com o índice Q.
Isto é, quanto mais leitores fiéis, melhor costuma ser o ambiente criado para absorção da mensagem positivamente.
Nota: por “positivamente” entenda-se algo mais próximo daquilo que a mensagem é e mais distatante do seu contrário.
Não se trata de concordar ou discordar.
Se isso pudesse ser expresso matematicamente, seria como se você dissesse “1″ e o leitor entendesse de fato “1″ e não menos “-1″.
Se o leitor entendeu “-1″, ele teve uma absorção negativa da mensagem.
Uma certa quantidade de leitores fiéis gera um ambiente positivo para a mensagem.
O leitor fiel tende a dar uma segunda chance a um texto, caso ele não o tenha entendido ou tenha considerado estranha a soma final das informações que absorveu em relação ao seu conhecimento prévio do autor.
O leitor não-fiel ou o novo leitor, independentemente de sua qualidade, não tem como levar tais conhecimentos em conta.
O leitor fiel, finalmente, depois de entender exatamente, ou próximo disso, o que o autor quis dizer, pode vir a se manifestar na caixa de comentários, reforçando o sentido positivo da mensagem (importante: ver nota acima).
Isto é, ele tem uma tendência maior de gerar comportamentos que reforcem o sentido esperado de uma mensagem, seja passivamente – não se manifestando negativamente -, seja ativamente, com links, trackbacks, comentários e novos artigos sobre o tema.
Como controlar esse fator: cultivar leitores fiéis. Existem várias maneiras de se fazer isso, entre elas qualidade de conteúdo, resposta aos comentários e diversas técnicas que, por si só, já renderam diversos artigos em toda a Rede Brasileira de Blogs.
Divergências: se o editor de blogs não faz questão de ter uma mensagem a ser entendida, mas tão somente atrair leitores que vêm a seu blog por mecanismos de busca, o fator L é secundário. Não entro no mérito disso, pois não é este o objetivo deste artigo.
Qualidade do design (D)
A qualidade do uso dos elementos de design proporcionadas por um blog são diretas em relação ao índice Q.
Quanto melhor o desenvolvimento gráfico da página maior a quantidade de informações absorvidas.
Isso leva em conta o fato de que o leitor médio de blogs não lê o texto do início ao fim. Ele “escaneia” a página de forma dispersa em busca de elementos que cativem sua visão e sua atenção.
Como controlar esse fator: entenda isso melhor no artigo O leitor devora o seu blog com estas 10 idéias simples e deliciosas
Divergências: obviamente o conteúdo é mais importante que a forma em certo sentido. Mas deve-se considerar que, se o conteúdo – a mensagem – não foi transmitido, e a forma não levou em conta o meio de propagação, houve um problema. É como tentar enviar uma certa carga de um continente a outro em um navio e construir a embarcação em açúcar. A carga não vai chegar do outro lado. O problema não foi a carga. Foi a embarcação, que derreteu.
Complexidade do tema (C)
A complexidade de um tema tende a fazer com que o índice Q caia. Assim, ele tem razão inversa na fórmula.
Quanto mais complexo um tema, mais difícil de ser entendido e, ao mesmo tempo, mais difícil de ser explicado. Esse fator está relacionado com o grau de especialidade do editor em determinado tema. Quanto mais se domina um assunto, mais facilidade se tem em se tratar dele.
Como agravante, ele influencia o fator T, tamanho: quanto mais complexo um tema, maior o tamanho do texto necessário para abordá-lo de forma clara.
Como controlar esse fator: especialidade. Quanto mais um editor se arrisca em um tema que não domina, maior é a chance de que sua mensagem não seja absorvida ou de que seja má interpretada.
Divergências: a possibilidade de se abordar qualquer tema com liberdade e opinião é uma das coisas que atraem mais e mais editores de blogs para a Rede Brasileira de Blogs. Convém não se deixar podar excessivamente ao se colocar esse fator na balança.
Grau de controvérsia (G)
O grau de controvérsia e polêmica de um tema tem influência inversa sobre o fator Q.
Quanto mais polêmico e quanto mais divisor de opiniões um tema for, maior será a possibilidade de uma informação contida em um texto que o aborde ser má interpretada.
Assuntos que envolvam emoções e crenças (políticas, religiosas, econômicas) sempre farão com que o leitor direcione sua interpretação de acordo com essas emoções e crenças. E não de acordo com a interpretação da informação essencial do texto.
Não importa o grau de maturidade ou esclarecimento de um hipotético leitor, um assunto controverso tende a levá-lo para suas crenças e emoções.
O quanto ele irá para esse lado, aí sim, depende de seu grau de maturidade. Você então, ao escrever, poderá levar em conta o fator maturidade de seu leitor médio.
Como controlar esse fator: não abordar temas polêmicos seria a forma perfeita de se eliminar a importância desse fator na fórmula. Mas…
Divergências: mas é claro que ninguém quer deixar de abordar temas polêmicos em seu blog por mera comodidade.
Uma solução é controlar o grau de absorção de informação investindo em outros fatores.
No entanto, é bom observar que existem blogs de razoável audiência que não se metem em assuntos polêmicos.
Quantidade de ruído (N)
Quanto mais ruído – isto é, quanto mais editores estiverem escrevendo sobre um mesmo tema -, maior a chance de uma informação ser entendida de forma errada por um suposto leitor.
Por isso, esse fator é inverso ao índice Q.
Se determinado tema é abordado por diversas vozes dentro do ambiente de blogs, maiores as chances de que informações contrárias se cruzem e a voz de um editor se confunda com a outra.
O debate é rico, mas também emaranhado. É como em uma luta, quando a certa altura não se consegue decifrar de quem é aquele braço e de quem é aquela perna ou quem desferiu um golpe.
Uma opinião contamina a outra involuntariamente, no conjunto, e nem sempre positivamente no proveito de cada texto individual. E isso se agrava quanto mais opiniões e informações de diferentes fontes estiverem envolvidas.
Como controlar esse fator: Existem duas formas principais de se controlar esse fator. Uma delas é mais simples: evitar tratar de um tema enquanto ele estiver em voga. Quanto mais se espera a poeira baixar para se emitir uma mensagem, maiores as chances de ela ser interpretada positivamente (ver nota acima).
A outra é mais complexa e, por isso, mais interessante: ter uma voz própria e inconfundível. Isso se consegue com estilo de texto, design diferenciado, cultivo de uma marca entre outros fatores.
Divergências: os debates sobre esse fator se estendem entre a validade de se bater no ferro enquanto ele está quente ou aprofundar a discussão quando tudo sobre determinado assunto já foi dito. Há muito o que se dizer sobre isso ainda.
Conclusão
Cada um desses fatores expostos não atua individualmente.
Eles não influenciam somente no resultado final da fórmula, o índice Q. Mas também uns sobre os outros.
Assim, o editor pode levá-los em conta mexendo em variáveis mais flexíveis para cada momento.
Assim, se – por exemplo – for inevitável tocar em um assunto controverso, o editor poderá atuar sobre fatores como tamanho do texto e qualidade do design.
Se for inevitável escrever um texto de maior tamanho, pode-se trabalhar com o fator ruído e com a quantidade de leitores fiéis.
E assim por diante.
Observações de outros editores:
O Sérgio Lima, do Sérgio Blog fez uma série de observações sobre a fórmula de absorção de informações em blogs.
Coloco, abaixo as observações do editor em negrito e, abaixo delas, minhas respectivas réplicas:
O sistema de propagação de informações de um blog não funciona como uma via de mão única e o leitor não seria mais um observador passivo.
De fato ele tem razão até certo ponto, embora isso não se estenda a todo tipo de leitor de blogs. Não nego que a comunicação em um blog é uma via de mão dupla, tripla ou mais.
Apenas o que fiz foi a observação e a tentativa de análise de uma dessas vias: quando um problema é complexo, divida-o em algumas partes mais simples.
Admito, no entanto, que a abordagem cartesiana da questão talvez não seja a ideal. Seria como observar dois corpos em movimento e calcular a velocidade relativa entre ambos como se um deles estivesse parado.
Porém, reafirmo que o objetivo é nortear o sentido prático dos editores na produção de seus textos. E um artigo mais complexo tiraria esse sentido. Nada impede que alguém faça essa abordagem.
Ele considerou que talvez o número de leitores fiéis não aumentasse o grau de absorção de determinado texto.
Mas a quantidade de leitores fiéis de um blog, como eu disse, causa o “ambiente favorável” a absorção de uma informação. Não em relação a um leitor específico, mas ao leitor médio.
Quanto mais leitores habituados à leitura de meus escritos eu tenho, mais é possível – maior é a tendência – que eu tenha reações de maior ou menor grau que reforcem a reação esperada na elaboração da mensagem.
O grau de controvérsia não influenciaria a absorção da informação pois estaria influenciado pela maturidade do leitor.
Em toda esta fórmula, não é possível falar de quantidades. O objetivo dela, como aponto desde o início e, reforço, por influência de Sérgio Lima, é orientar o trabalho do editor no sentido desta ou daquela variável.
Por isso, falo muito em tendências.
E, de fato, independentemente da maturidade de um determinado leitor, o grau de controvérsia de um tema fará com que ele tenda – num grau maior ou menor, agora sim de acordo com seu grau de maturidade – para suas crenças e emoções.
É importante lembrar que não estamos falando de um leitor específico.

10 comentários ↓
Sou conhecido por meu texto “curto e grosso”, as vezes até ahco que peco por isso.
Abração
Grau de Absorção de Informações em Blogues ?…
Entendendo o Fio da Meada
O Alessandro Martins escreveu um artigo onde faz algumas conjecturas sobre o grau de absorção de informações em blogues e propõe até uma fórmula:
Q = (R.L.D) / (T.C.G.N)
Onde:
* Q – Quantidade e qualidade …
Eu sou da opinião que, quanto menos se fala, menor a chance de se causar confusões. As palavras, às vezes, são como areia movediça. É preciso se mover com economia para não afundar… Abraços do Ale, Neto!
Alê!
Excelente! Boa fogueira para lenha nobre. Li aqui e lá no Sérgio, meu xará.
Vejo técnicas de redação com o foco no resultado prático, o passo seguinte para o meio blogueiro, para aqueles que ficarem em definitivo por aqui.
Como o Neto citou o dele, cito o meu:
Não tem nada de prático. Sou muito “introdutório” em meus textos, gosto de situá-los nalgum contexto histórico, literário, jornalistico…
Sou contador por formação, metido na área cultural literária por paixão e jornalista por observação.
Não poderia mesmo, dar um caldo apreciável como redator de textos produtivos do ponto de vista funcional.
Abraços!
Sérgio
Não sou bom em matemática. Dou presença, mas prefiro não me manifestar.
Os melhores textos quase nunca são funcionais, meu caro Sérgio… já viu literatura resolver problema? Eu só vejo causar… e tem alguém legal que viva sem ela nas suas variadas formas? Pois é…
Não precisa ser bom em matemática para usá-la, Thássius… na verdade, é até bom que seja ruim…
Opa Alessandro!
Apreciei muito a sua tréplica e acredito que o objetivo maior – levar todos a uma reflexão sobre os fatores que impactam mais para que os leitores absorvam o que queremos passar – foi alcançado!
[]‘s
Acho que é mais por aí mesmo a idéia da fórmula, Sérgio… Sabendo o impacto de cada item, cada editor pode, de acordo com as suas características próprias, definir quais deles relevar mais na hora de escrever. Na verdade, é bom que ela seja frouxa…
Que bom que voltou aqui e tivemos essa conversa boa. Se tiver novidades ou idéias novas sobre isso e outras coisas, me avise. Abraços!
[...] Ok, para os blogs, as coisas funcionam diferentes e não existe uma média em si, mas lá no “Quero ter um Blog, achei uma fórmula que define a quantidade e a qualidade da informação absorvida pelo [...]
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