Sobre o blog que gritava lobo

Esta semana, um blog afirmou estar sofrendo um processo e que, por isso, sairía do ar. Não era exatamente uma verdade. Não era exatamente uma mentira. Enfim, ficou naqueles meios termos difíceis de definir. Afinal, verdades e mentiras são coisas muito relativas.

Mas falemos de outras coisas. Durante o dia de ontem e hoje muito conversou-se na rede brasileira de blogs sobre que postura assumir quanto ao ocorrido.

Muito sábio quem afirmou isso: quem se identifica com o tal blog continuará a segui-lo e admirá-lo; e quem não se identifica também manterá sua postura, a de nem segui-lo nem admirá-lo.

Assim costumam ser as discussões polêmicas: cada lado vai embora com a opinião com que nela entrou. Apenas com uns galos e ferimentos a mais. É só desperdício de energia e tempo, de fato.

Apenas é notável que, no momento em que houve uma possibilidade de censura, tantas vozes tenham se erguido em defesa do blog supostamente censurado, acenando em seu discurso com a Liberdade de Expressão, e no instante seguinte, quando se vê que tudo não passa de uma espécie de brincadeira, outras vozes (possivelmente as mesmas), afirmam que trata-se tão somente disso, uma brincadeira. Do que concluo, Liberdade de Expressão é algo com que se pode brincar.

Gostaria de lembrar no entanto que a liberdade – seja em qual campo for – é um conceito muito abstrato. Mas no que todos concordam é que depois da liberdade segue-se a responsabilidade. Se você não tem capacidade de assumir as responsabilidades originadas em suas liberdades, não as exerça.

Também acho importante observar que, na História, todas as vezes em que liberdades foram negadas aos indivíduos, isso foi feito por pessoas mais poderosas (pela força das armas ou do dinheiro). E o argumento quase sempre é de que aqueles a quem as liberdades eram de direito não eram capazes o suficiente para ter essas liberdades. O estado a assume, a igreja, os militares, o senado. Enfim.

Vejamos que mensagem queremos passar com o que escrevemos por aí. Sempre surge o momento em que nossa postura em relação à liberdade e às nossas responsabilidades dela advindas é cobrada de fato. O uso da balança como símbolo dos julgamentos não é à toa: peso não é algo que se perca em segundos; é algo que se acumula ao longo do tempo.

Creio que atitudes menos éticas (sempre cuspir ao falar de ética; ninguém tem a boca limpa) são como entulhos que jogados ao rio, acumulados com o tempo, causam enchentes mais tarde. Não é um julgamento do rio. Não é bom nem ruim. E não tem a ver com ser bom ou mau também. É apenas algo que acontece, como uma lei física. Causa e efeito. Que apropriado.

Por isso meu posicionamento a respeito dessa história específica toda já está bem formulado. Não direi qual é porque não estou aqui para convencer ninguém tampouco para discutir.

Apenas encerro por aqui minha participação nesta história e parto para o meu lado, que pode ser tanto o dos que admiram o tal blog quanto o dos que não. No fundo, como tantos vem afirmando, nem isso é importante. Não se deve levar a blogosfera a sério, não é?

O que importa é a Liberdade de Expressão. Escrita com letras maiúsculas e banhadas a ouro. Gostaria de saber de quantos quilates.

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    #1 Bruno Guedes(Toupeira Profissional) em 2.4.2009 às 7:38 pm

    Já adorei o texto pelo título. Mas prossigamos:

    “Mas no que todos concordam é que depois da liberdade segue-se a responsabilidade. Se você não tem capacidade de assumir as responsabilidades originadas em suas liberdades, não as exerça.”

    Tenho um texto pré-escrito(não publicado) com uma temática basicamente igual. Lembro também da máxima “sua liberdade termina onde a dos outros começa”.

    E sobre esse caso em particular, o soube pelas beiradas. Quando fiquei à parte, já tinha acontecido. Seria um ótimo discurso, se não fosse uma “simulação”. =/

    #2 Anna em 2.4.2009 às 8:56 pm

    Alessandro:
    “Se você não tem capacidade de assumir as responsabilidades originadas em suas liberdades, não as exerça.”
    Você já deu seu recado nesta frase. Fim de convera.

    Anny

    #3 Gustavo Ayres em 3.4.2009 às 2:02 am

    Só pelo fato de você sequer ter citado o nome, dado link ou coisas do gênero ao site, já dá pra adivinhar o lado que você ficou.
    Vou te confessar, por um tempo acompanhei o tal site assinando o feed por causa de um de seus textos. Depois percebi que não era o meu tipo de humor e deixei pra lá.
    Quando fiquei sabendo do “grito de lobo” fiquei receoso quanto ao que podia acontecer pois a história era no mínimo absurda… …se fosse verdade.
    Sinceramente não acho que o discurso e/ou a idéia deles tenha alguma coerência porque a Liberdade de Expressão não me pareceu o verdadeiro foco da coisa toda…
    Enfim, acho que o seu texto aqui disse muito do que eu queria ter dito mas não tinha paciência [ou espaço] para escrever. :)

    #4 Norberto Kawakami em 6.4.2009 às 2:59 pm

    Alessandro,
    como eles próprios alegaram, levar um blog de humor a sério é porque não somos o público dele.
    isto, para mim, só quis dizer que o “protesto” que eles alegaram no 1º de abril foi só uma desculpa esfarrapada para a repercussão negativa que tiveram.
    Afinal de contas, se eles mesmo dizem que não é para levar um blog de humor a sério, porque deveríamos levar o “protesto” que eles apresentaram como sendo sério? Não é mesmo?
    E a dita “Liberdade de Expressão” sofreu mais um pouco, como costuma sofrer quando, como sempre, alguém a brada quando na realidade quer é que seu ponto de vista prevaleça…

    abraço

    #5 Gustavo Ayres em 6.4.2009 às 4:12 pm

    Aliás, essa frase sobre “não ser o público dele” me fez lembrar uma coisa.
    Eles insistem que se você não gostou, vá para outro lugar e não encha o saco.
    Mas e a “liberdade de expressão”? Eu não posso também falar que não gostei?
    Enfim…

    #6 Alessandro Martins em 19.4.2009 às 1:09 pm

    Bruno,

    não deixe de me avisar quando publicar o seu texto. Farei um link por aqui ou em algum outro de meus blogs.

    Abraços do Alessandro.

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